"Erros" e "Acertos"
David Hepner

Em primeiro lugar, gostaria de agradecer Sérgio Basbaum pelo convite para escrever em seu site. Mas deixa eu me apresentar. Estou na revista Guitar Player há quase três anos e, como jornalista, tento realizar o meu trabalho da melhor forma possível. Como todo ser humano, limitado, cometo erros e acertos. Já que esta coluna é livre, vou abordar temas que me vierem à mente. E o primeiro é justamente "erros e acertos", o "imperfeito" e o "perfeito".

Escrevo em uma revista de música e toquei guitarra - como amador - durante muito tempo. Por isso, tive contato com profissionais e estudantes desta área. Muitos deles, em vez de prestar atenção na música e deixar que ela provoque ou não algum sentimento em você, preferem ficar observando, com detalhismo cirúrgico, os momentos em que uma nota sai engasgada. Depois, fazem questão de comentar o "erro".

Para mim, não importa o "erro", desde que o músico esteja transmitindo algum sentimento para as pessoas, desde que haja uma idéia forte dentro de sua arte.

Para falar a verdade, eu sempre apresentei uma tendência a preferir o "imperfeito" ao "perfeito". O primeiro sempre tem algo a alcançar, um motivo. E, quando erra, faz um "pit-stop" e olha para os lados. Vê o mundo que o cerca e segue adiante, buscando melhorar, até o próximo "erro". O "perfeito" me parece triste. Segue seu rumo sem um objetivo a alcançar. Não pára, não olha para os lados, não vê o mundo, não muda...

É claro que, na minha opinião, o "imperfeito" bonito é aquele que se esforça para se aprimorar, que procura saber onde está o "erro" e não repeti-lo, que dá o melhor de si. Não pode ser um desleixado. E não deve deixar que a busca pela "perfeição" o torne um chato.

Não me lembro onde li que Deus é "perfeito" e "imperfeito" ao mesmo tempo. Um conceito que meu limitado raciocínio não consegue compreender direito. Mas sinto que há verdade nisso. E acho que alguns músicos deveriam pensar menos na "perfeição" e sim na beleza da música em si, "perfeita" e "imperfeita".